SPPC - Seminário ''Cérebro e Psicoterapia''
Nos dias 2 e 3 de Fevereiro de 2007, a SPPC organizou, no contexto do Curso de Especialização em Psicoterapia seminário denominado Cérebro e Psicoterapia.
Subordinado ao tema Bases Neurobioquimicas da Remodelação Neuronal e Psicoterapia, neste Seminário foi orador Óscar Gonçalves, psicoterapeuta, professor catedrático e Director do Departamento de Psicologia da Universidade do Minho, investigador e autor de diversas obras no domínio das psicoterapias de cariz cognitivista e construtivista.
O evento decorreu no Anfiteatro da FPCE da Universidade de Lisboa e contou com a presença de cerca de noventa participantes.
Apresentação
O conhecimento e a intervencão neurobioquímica continuam a sere ncarados por muitos psicoterapeutas, habituados a pensar a mente para além das questões do corpo, como ameaçadores. Convictos de que a mudança psicológica consistente exige a experiência conscientemente planeada e vivida, habituámo-nos a duvidar da abordagem bioquímica,enquanto redução da experiência humana aos poderes dos psicofármacos, e de um modelo médico igualmente redutor.
Contudo, muitos autores das neurociências estudam, agora, os processos cerebrais recorrendo não apenas à bioquímica, mas a uma maior diversidade de disciplinas - da filosofia às psicoterapias -, como informadoras dos percursos da construção e da plasticidade cerebral, das variáveis transdisciplinares envolvidas, e evitando reducionismos. A plasticidade neuronal revela em todo o seu esplendor sensibilidade a variáveis não apenas bioquímicas mas também psicossociais.
Consideramos, assim, um privilégio poder “atravessar a fronteira” da mente para o cérebro tendo como guia não um colega das ciências médicas, mas alguém que conhece em profundidade as variáveis psicossociais e os percursos mentais envolvidos nas psicoterapias, e que é exemplo da indisciplinaridade que se aconselha às ciências.
O Prof. Óscar Gonçalves dispensa apresentação. Diferentes comunidades, nacionais e internacionais, o conhecem pelas suas intervenções e publicações de carácter científico e pedagógico, pela sua criatividade e energia como ser humano, colega e académico. Ele contribuiu de forma decisiva para a divulgação das terapias cognitivistas em Portugal e, em particular, para o desenvolvimento das abordagens construtivistas. Nos últimos anos derrubou fronteiras perturbando arrumações conceptuaisclássicas ao dedicar-se ao estudo das Ciências Clínicas Neurocognitivas.
Precisamente pelo seu percurso, acreditamos que OG se encontra numa posição privilegiada para nos ajudar a todos - independentemente do lado em que nos posicionamos dessa falsa fronteira - a integrar a mente e o cérebro, e todos os conhecimentos passíveis de intervir na construção de uma melhor ciência dos processos de saúde e doença.
Tal ciência, já percebemos, poderá ajudar a monitorizar as Psicoterapias que promovam as melhores mudanças neurobiológicas, assim neurocientificamente validadas. Mas em que outros aspectos beneficiarão as Psicoterapias deste conhecimento neuronal? A validação e criação de melhores práticas e procedimentos terapêuticos? E este movimento abrirá o apetite a mais psicoterapeutas pela prescrição medicamentosa em igualdade de circunstâncias com os médicos?
Deixemo-nos pois inspirar pela energia e indisciplinaridade do Prof. OG, a quem agradecemos, em nome de todos os membros da SociedadePortuguesa de Psicoterapias Construtivistas, que o tem como honorário, o esforço de novamente nos agraciar com a sua presença aqui, hoje.
A Comissão Organizadora
Aníbal Henriques, José Serra e Alexandra Marques Pinto
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